Network Effect - Encruzilhada # 3: Rede universitária

Encruzilhada # 3: Rede universitária

por | out 13, 2021 | Marketing de Multinível | 0 Comentários

Você deve escolher sua universidade com base na rede de alunos e na rede geográfica em que vivem, mais do que nos cursos ou equipes esportivas. Escolher as pessoas certas para ficar na faculdade abrirá ideias, relacionamentos, empregos, aspirações, atitudes e recursos que se encaixam com você, e um ciclo virtuoso será iniciado. Sua rede pedirá que você seja o melhor que puder e viva sua vida da melhor forma, como um treinador na academia. Dessa forma, sua rede universitária terá um impacto exponencial em sua vida.

As redes universitárias têm muitas características que as tornam poderosas:

1. A densidade geográfica cria interações frequentes entre os nós da rede, dando aos vínculos de rede a oportunidade de se formar e se fortalecer.

2. Há uma longa duração de formação de rede (networking). Quatro anos é muito tempo. Muitas coisas acontecem em 4 anos.

3. Uma rede fechada e seletiva. Isso é poderoso por três motivos.

A. Sua reputação é importante. É mais provável que as pessoas já tenham ouvido falar de você por terceiros e o tratem de maneira diferente com base em sua reputação.

B. Se você encontrar outro aluno, as chances de ele encontrar alguém que você conhece são muito maiores do que alguém que você conheça fora da rede fechada. Há um alto grau de sobreposição de redes entre você e outros alunos e, como prevê a teoria das redes, conexões compartilhadas entre duas pessoas aumentam muito as chances de formarem um vínculo forte.

C. A probabilidade de que a interação entre os alunos se repita é muito alta.

4. Assim como acontece com a família, essas redes permeiam desde quem você conhece até quem você é. A formação da identidade ocorre nessa idade e, portanto, é provável que dure mais.

5. Ao escolher uma universidade, você também está escolhendo uma geografia. As pessoas tendem a acabar trabalhando e morando na proximidade geográfica de sua faculdade, o que as mantém próximas de seus amigos de faculdade.

6. As pessoas tendem a acabar trabalhando nos mesmos setores econômicos que as pessoas em sua rede universitária.

7. É considerado uma norma social que você deve construir e valorizar sua rede na faculdade, para que outras pessoas sejam mais receptivas à criação de vínculos novos e fortes.

8. Dada a sua idade biológica, é uma boa hora para encontrar um par amoroso. O resultado disso na rede é que muitas pessoas encontrarão o cônjuge na faculdade, ou pelo menos encontrarão alguém que acham que será seu cônjuge no futuro, o que afeta decisões importantes na vida, como onde morar em seguida. Como veremos, esta é na verdade uma grande decisão, e deixar que sua vida amorosa dite onde você mora geralmente não é uma decisão acertada.

9. A faculdade lhe ensina a ideia de que você conhecerá essas pessoas para o resto de sua vida, então, como família, existe uma sombra poderosa sobre o futuro que torna os laços mais fortes e numerosos.

10. Todos os elementos acima se reforçam entre si.

Para ver o que isso significa na prática, considere o seguinte cenário:

Como calouro, você conhece alguém na sala de aula. Vamos chamar essa pessoa de Valentina. Você e Valentina têm algumas coisas em comum e se dão bem. Se você fosse solicitado a avaliar sua afinidade com Valentina, seria 6 de 10. Como vocês compartilham um curso, vocês se verão talvez duas vezes por semana por pelo menos seis meses.

Vocês interagirão regularmente e com frequência e, mesmo após este semestre, há uma grande chance de você ver Valentina no campus, compartilhar amigos com ela que podem convidar vocês para as mesmas festas ou encontros, ou participar das mesmas Atividades extracurriculares. Tudo isso é resultado de vocês serem membros da mesma rede fechada e compartilharem as mesmas circunstâncias geográficas e institucionais.

Agora suponha que, no mesmo dia em que conhecer Valentina, depois da aula, você vá a uma festa fora do campus onde conhece Daniel. Daniel não estuda na sua universidade, não tem conexões compartilhadas com você e não mora perto de você. Mas ele tem muito em comum com você, e você se diverte muito na festa a noite toda porque compartilha muitos interesses e tem muita sintonia com ele. Se você fosse solicitado a avaliar sua afinidade com Daniel, seria 10 de 10.

Quatro anos depois, quando você se formar, qual amizade com maior probabilidade de sobreviver? Quanto a matemática da rede importa em comparação com suas próprias preferências e iniciativa?

Afinidade mútua não é a única coisa que importa na escolha de amigos. Nem mesmo é o fator mais importante. A força da rede invade outros fatores. Levando isso em consideração, o modelo de desenvolvimento de relacionamentos não inclui apenas afinidade mútua. Em vez disso, parece mais assim:

Probabilidade de formar um relacionamento = afinidade mútua * frequência de interação * duração da interação * proximidade geográfica * proximidade da rede * número de conexões compartilhadas * etc.

Daniel pode ser 10 nesse primeiro fator de afinidade mútua, mas em todos os outros ele é 1.

Valentina, por outro lado, pode ser 6/10 em termos de afinidade pessoal, mas ela é 10/10 em todos os outros aspectos, cada um dos quais serve como um multiplicador da probabilidade de você interagir e desenvolver um relacionamento duradouro com ela.

Outra maneira de ver as coisas é que o atrito de sair com Valentina é muito menor do que sair com Daniel – leva 10 vezes menos esforço para sair com Valentina. Portanto, com o tempo, a matemática de habitar uma rede compartilhada, a gravidade da rede, torna centenas de vezes mais provável que você se torne um amigo duradouro para ela do que para Daniel.

Esta é uma ilustração aproximada do poder matemático das redes de moldar o comportamento. Como podemos ver, as redes impõem restrições reais à maneira como você toma decisões, não apenas sobre o que provavelmente vai fazer com que você se torne amigo, mas também sobre oportunidades de carreira, opções de namoro, crenças e informações às quais você vai terminar por se apegar.

A proximidade da rede torna algumas opções mais atraentes do que seriam no vácuo, enquanto a distância da rede pode impor grande atrito a outras opções, como ser amigo de Daniel ou optar por adotar um sistema de crenças, um senso de moda ou um trabalho em um setor econômico muito diferente das outras pessoas em sua rede próxima.

Portanto, se você está escolhendo entre faculdades ou conhece alguém que esteja fazendo a escolha agora, considere as seguintes questões:

  • Onde acaba vivendo a maioria dos alunos desta universidade Quando você escolhe uma universidade, também está escolhendo uma rede regional. Se você for para a escola em Medellín, por exemplo, seus amigos e ofertas de emprego acabarão ficando, em sua maioria, naquela região. Por exemplo, James Currier, autor do artigo que inspirou este texto, não recruta mais em sua alma mater Princeton porque a probabilidade de remover um graduado de Princeton da órbita NYC-DC-Boston é muito baixa. Ele tentou por quatro anos, e cada uma das pessoas que estava recrutando fez as contas em seus próprios painéis de vida, viu os números colocados ali por suas redes, sentiu a gravidade da rede e cada um tomou a decisão racional de permanecer na Costa Leste. Um candidato ficou em Nova York para se mudar para um apartamento com amigos da faculdade e trabalhar na Goldman Sachs, que recrutava pesadamente no campus, a uma hora de seu escritório em Manhattan (baixo atrito devido à rede geográfica). Outro mudou-se para Boston para ficar perto de sua namorada que estava terminando o curso em Brown e de seus pais nos subúrbios. Cada um deles “realmente queria” se juntar a uma startup, mas a gravidade da rede e a matemática da rede eram demais.

    Agora pense em como a matemática continua a se espalhar em cascata pela rede. Princeton espera que James continue a ser um nó ativo de recrutamento na rede, proporcionando aos alunos excelentes opções de emprego. Mas meus cálculos de custo/recompensa não funcionam. O denominador é zero. Então Princeton perdeu um nó de recrutamento em sua rede por enquanto. Além disso, agora aqueles nós de alunos no campus não têm mais notícias minhas. Pessoas como eu – e eu mesmo – não adicionamos nossos números aos painéis de nossas vidas dizendo “trabalha para uma startup em San Francisco”. Portanto, a matemática para outras ideias como Goldman Sachs e McKinsey fica mais forte com o passar dos anos. O forte fica mais forte. Novamente, apego preferencial na rede. Os alunos olham para a matemática da rede em seus painéis de vida e escolhem a opção matematicamente correta.

  • Em que tipo de carreira ou setor os ex-alunos desta universidade costumam trabalhar? Aqui está um exemplo de como isso funciona. O sobrinho de James, de 23 anos, foi para o Trinity College em Connecticut. A maioria dos alunos da faculdade acaba trabalhando com finanças em Nova York ou Boston. Adivinha o que o sobrinho de James está fazendo agora? Ele trabalha com finanças em Boston. Ele seguiu o caminho de menor resistência, levando ao resultado de status mais alto e mais bem pago, semelhante à sua rede. A escolha de trabalho dele é baseada em suas próprias habilidades e interesses únicos? Não. É a matemática das redes. Ele fez a escolha certa com base nas opções apresentadas no painel de sua vida por suas redes.

     

  • Você se relaciona com outros alunos de forma natural? Eles se relacionam com você? Os alunos representam o tipo de aspirações, estilos de vida e interesses que você deseja para si mesmo? Não faz sentido entrar em uma rede aonde você não vai realmente se conectar com os outros nós, não importa o quão prestigiosa essa rede seja.
  • Qual o tamanho da universidade? Quanto maior a universidade, maior a rede de ex-alunos. Quanto maior for a rede de ex-alunos, mais laços (fracos, sim) você terá, o que é ótimo para a carreira, o casamento e uma série de outros atributos da vida. A Harvard Business School descobriu isso e tem turmas de 900, em comparação com Stanford e MIT Sloan de 400.

     

  • Quão forte é a afinidade entre os graduados? Assim como no Ensino Médio, o quanto os ex-alunos se gabam de ir para aquela faculdade? Quanto voltam para as reuniões? São apaixonados pela marca da universidade? Eles a usam como um forte marcador de identidade ou são indiferentes?

     

  • Está claro o que se diz sobre os formandos egressos daquela faculdade? Uma marca clara e forte ilumina outras redes porque os nós externos sabem o que esperar de você se você for um membro.

Além disso, e suspeito que isso será controverso, você provavelmente deve minimizar a importância dada a questões como:

  1. Onde a universidade está localizada na lista de prestígio universitário?
  2. As aulas são incríveis?
  3. Existe algum time no qual gosto de jogar?
  4. Há um professor específico com quem desejo trabalhar ou uma área de especialização específica que desejo cursar? Apenas 27% dos graduados universitários acabam com um emprego intimamente relacionado ao seu curso.

A faculdade pode ser melhor vista como um lugar para networking e criação da topologia de rede desejada. A rede a que você se juntar o levará a uma geografia, um tipo de trabalho, certas ideias sobre a vida e um grupo de opções de namoro/casamento que terão uma grande influência em sua vida. Toda essa força de rede o empurrará a seguir o caminho matematicamente óbvio a partir daí, aquele que parecerá a “decisão certa”.

Este artigo foi escrito por Jorge Aldrovandi, CEO da Babel-Team, empresa de consultoria e suporte tecnológico para o mercado de educação online no Brasil e LATAM, com base no artigo de James Courier. Jorge é Cofundador e CGO da BIGPROFY, plataforma digital de educação online com modelo de distribuição em rede multinível.

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